19/01/2014
Moot Scout Interamericano

O pioneiro Kemmerich participou do Moot Scout Interamericano na virada de ano 2013/2014. Leia abaixo eu relato dessa atividade.

" E no principio era tudo escuridão. O que era um Moot Scout Interamericano? Eu não sabia ninguém sabia, mas resolvi ver o que era. No ultima dia de inscrições me inscrevi, no ultimo dia de pagamento paguei, era apenas mais uma atividade escoteira, no meu caso férias e participar de uma coisa que sempre quis: uma atividade internacional.

Até poucos dias antes estava tudo normal, só mais um acampamento, ou melhor, pensava em como ia ser um acampamento na virada do ano, e ainda mais nove dias dentro de uma barraca. Até que as pessoas começam a se preparar, adicionar no facebook, chegar ao Brasil, e então, a ansiedade começa a tomar conta, eu vou para um acampamento internacional!

Cheguei a Porto Alegre na manhã de sexta feira, 27 de dezembro, cheguei junto a um bando de Paraguaios sem a mínima ideia de onde deveria ir, e de repente começa a chegar mais escoteiros, e mais escoteiros... A rodoviária estava tomada por escoteiros! Fomos de ônibus ao campo central, Colégio Anchieta, e surpresa! Mais escoteiros! Muitos escoteiros, ônibus de toda América cheios de escoteiros! De inicio já foi melhor que o esperado, diversos países chegando aos poucos, uma grande festa.

Foi fazer meu credenciamento e já deu para notar que a organização estava muito boa, ágil e funcional. No primeiro dia não tivemos programação, o acampamento começava a noite, foi hora de montar a barraca, e conhecer as pessoas, conversar com quem estava indo para as rotas e conhecer quem ficaria junto comigo nestes primeiros dias.

  • Explicação: Todos que iriam participar do acampamento tem sua chegada em Porto Alegre, ali são divididos e vão para as suas Rotas. Eram quatro rotas: Por do Sol, em Porto Alegre, Terra, Cachoeirinha, Serra, Caxias do Sul e Águas em Três Corroas. Os participantes pegavam seu kit de participante e já eram levados de ônibus até a sua rota, como a minha era a Por do Sol, e Porto Alegre, pude acompanhar a chegada de todos e já montar minha barraca.

À noite tivemos uma bela cerimônia de abertura, com danças e ritmos brasileiros, embora eu não conhecesse a maioria dos ritmos apresentados. Depois da abertura tivemos um tempo livre, fizemos uma roda de canções escoteiras, cada país puxava uma canção, uma melhor que a outra, não lembro de nenhuma.

No sábado acordamos bem cedo, era o dia do turismo da rota. Um calor quase insuportável, Porto Alegre estava fritando no fim de ano. Fomos de ônibus até a zona sul da cidade, conhecer a famosa praia de Ipanema, na beira do Guaíba. Que decepção. Vista linda, incrível a cidade e o lago, mas a praia imunda, a grande atração foi os mendigos na areia, tiramos varias fotos com eles dormindo; no demais era muita sujeira, com muita macumba, galinhas e pombos mortos, até uma cabeça de ovelha, esgoto sendo lançado na areia e um cheiro terrível.

Voltamos para o ônibus e fomos conhecer o Parque Marinho do Brasil, grande surpresa, não sabia que era tão bonito, incrível. Depois fomos até o Beira Rio, os gringos queriam conhecer onde será a próxima copa do mundo. Grande decepção 2. Minha ilusão se foi, o estádio não vai ficar pronto para a Copa do Mundo, as obras de entorno nem bem começaram, não tem calçada, buracos, bares velhos e nenhum sinal de melhorias. Os funcionários do estádio também estão despreparados, pedimos para um funcionário onde podíamos beber água, ele nos levou até uma torneira que no chão em que a água saia branca, pobre da venezuelana que abriu a torneira.

Almoçamos no Parque Harmonia, onde acontece a semana farroupilha, e depois saímos por um tour pelo centro histórico da cidade, era para ser um safári fotográfico, mas por certo despreparo da organização e falta de motivação dos gringos não saiu nada. Grande Decepção 3. Sempre achei Porto alegre linda, sempre quis morar no centro, acho um dos locais mais legais que existem, mas as ruas estavam sujas e as pessoas não sabem receber turistas, se não fosse por mim ia ter muito gringo perdido e levando golpe. Em resumo, o pessoal de fora achou a cidade linda, com belos prédios, acharam os prédios muito altos, e em um nível como Buenos Aires.

À noite tivemos um luau, muito bonito e com comidas muito boas. Ai teve um fato engraçado, estávamos acampando ao lado do campo de futebol do colégio e depois do luau os esguichos da irrigação foram ligados, foi uma cena muito bonita, as barracas ao fundo e os esguichos na frente. Como estava muito quente tinha deixado a parte de lona da minha barraca aberta, para entrar um ar, quando chego à barraca ela esta toda molhada, a água chegava lá... Quando fui dormir deixei a lona aberta de novo, só fechei o mosquiteiro, afinal os esguichos já tinham sido ligados aquele dia... De repente acordo com estouros muito fortes, depois sinto que atiram uma água nos meus pés, levanto pensando que me sacanearam, e vem um forte esguicho pra dentro da barraca, saio pra fora e todo mundo correndo com lonas e barracas para fugir da água, os esguichos eram fortes.

No domingo foi o dia das atividades comunitárias, minha função foi criar uma sala de arte para crianças de uma creche que fica na imediação da Arena do Grêmio, trabalho que ficou muito bonito. À noite fomos a uma churrascaria e a uma apresentação de tradições gaúchas, saímos de lá encantados, comida ótima e apresentação excelente, os Argentinos compararam ao Señor Tango de Buenos Aires.

Na segunda voltamos à creche para terminar o trabalho começado, e de tarde saímos para o campo central em Osório, onde encontraríamos todas as rotas.

Vale ressaltar a excelente esturra do campo de Porto Alegre, e a bela organização, que foi impecável, sem falhas.

Na chegada a Osório, logo depois de montar a barraca, choveu pela primeira vez, um alivio para o calor, mas minha barraca alagou, sai correndo para salvar o que dava, levei tudo para um lugar fechado e tentei comprar outra barraca, só consegui comprar um saco de dormir, pelo menos não dormi molhado.

Na terça, ultimo dia do ano, foi para a praia, muito boa muito legal, ir para praia com mais de 300 escoteiros agrega valor. Resolvi ir para o centrinho da praia, ver as lojinhas e conhecer o lugar, chegando lá forte chuva, só pensava em minha barraca e em minhas coisas, devia estar tudo molhado de novo. Então resolvi comprar os maiores sacos de lixo que encontrei, ia botar tudo dentro, foi o que me salvou, vinha muito mais chuva.

De noite a festa de ano novo! Ano novo com mais de 1.500 escoteiros de toda América! Emocionante. Apesar do esforço da organização não foi legal, foi feita uma “batalha de ipods”, coisa mais sem fundamento, e depois, contagem regressiva e fogos de artifício, não tinha clima de ano novo, parecia mais uma festa comum. Estou até agora com a impressão que falta algo, embora a organização tenha colocado tudo de tradicional do ano novo.

Na terça feira, dia 01/01/2014, era para ser o dia internacional. Nunca acordei tão tarde em um acampamento, 9 horas passadas, mas não perdi muita coisa, não tinha nada o dia todo, era um dia livre. Ao final da tarde tivemos as apresentações de todos os países, era um festival cultural de alto nível, muito bom. Muita gente nem viu esta e outras partes culturais, a maioria das pessoas que foram lá não eram escoteiras, apenas fazem parte do escotismo, queriam apenas curtir. Uma pena. Se você quer fazer isso invista seu dinheiro em festas ou algo melhor.

Na quinta feira, quando já estava com muita vontade de ir emborra, foi o dia de oficinas. Algumas excelentes, como a de sexualidade. Conheci muitas pessoas incríveis nestas oficinas, pessoas que me mostrar outro sentido de vida e de escotismo, se no acampamento tinha muita gente que só queria curtir, percebi que também tinha muita gente boa.

Neste dia comprei a nova maravilha feita pelo homem: toalhas superabsorvente foi o fim da minha barraca molhada, sorte minha, pois de noite começou a chover e só parou na noite de sexta.

Na sexta feira, sábado a aventura terminava, foi o melhor dia. Participei dos jogos sem fronteiras, onde cada país podia apresentar jogos escoteiros locais, jogos muito bons voltarei com varias ideias novas.

Depois participei do “Mirando Adelante”, uma oficina dividida em três partes, envolvimento da juventude na sociedade, Mensageiros da Paz e Direitos Humanos, oficinas ótimas, e a certeza de que sim, vale a pena continuar na luta, continuar com o escotismo, são milhões de escoteiros mudando o mundo. Às vezes ficamos cansados, tristes, decepcionado, perdemos a esperança, mas vale a pena acreditar no escotismo, acho que aquilo era o que eu precisava para erguer a cabeça e continuar em frente, agora trago o pensamento, que, mesmo que às vezes parece não dar resultado, sempre terá um escoteiro em algum lugar do mundo tentando e que não podemos desistir, pois a força que nos move é o que nos une, o meu pensamento de continuar sempre é o que nutre algum outro escoteiro em algum outro local, formando assim uma cadeia de esperança.

De noite começou o desmonte do acampamento, algumas pessoas iriam para casa já nas primeiras horas da madrugada, e sobre uma chuva fina foi feita a cerimonia de enceramento. Um momento um tanto marcante, é a felicidade por voltar para casa, mas também saber que provavelmente nunca mais veremos as pessoas incríveis que conhecemos. Enquanto chovia, uma dupla de cantores se apresentava, e sobre uma grande possa de água jovens com o mesmo ideal, que nunca tinham se visto, de diferentes países, culturas e idiomas dançavam juntos, e a musica que tocava pode ser um reflexo do que vivemos neste poucos dias “Mas não, não vá agora, quero honras e promessas, lembranças e histórias. Somos pássaro novo longe do ninho...”. "

(texto de Jonathã Kemmerich)

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